O Conto da Namorada Pirata de Curitiba




Por Edmilson Vieira Dimelo 

Edmilson resolveu trocar o conforto do seu lar por uma aventura em Curitiba, a terra do pinhão, do cobertor e do Coxa. Ele chegou cheio de esperanças, mas logo percebeu que a vida na capital paranaense não era só chimarrão e pinhão na brasa. Havia também... fungos. Muitos fungos. E ele, coitado, tentava ficar o mais longe possível deles, como se fossem ex-namorados ciumentos.

Edmilson se instalou na rua Saldanha Marinho, uma rua que tinha de tudo e mais um pouco: mercado, templo cristão, cortiços cheios de estudantes e trabalhadores, e uma vibe que misturava o caótico com o acolhedor. Era um lugar onde 250 pessoas dividiam o mesmo teto, fogões, tanques de lavar roupa e, claro, histórias. Muitas histórias.


Foi lá que ele conheceu Carina, uma moça esguia de 1,65m, cabelos castanhos escuros e ondulados, com um charme que só quem perdeu uma perna no meio da coxa e ainda assim torcia para o Coxa poderia ter. Sim, Carina era uma torcedora fanática do Coxa, e sua muleta de madeira violeta era tão icônica quanto o próprio time. Quando ela ficava nervosa ou com pressa, o ritmo da muleta no chão parecia uma batucada de samba-enredo. Era impossível não notar quando ela se aproximava.


Carina, ou Coryn@, como ela preferia ser chamada (porque, afinal, quem nunca quis ser única, né?), vinha de Pato Branco, onde havia perdido a perna e, aparentemente, a paciência com a cidade. Decidiu então se mudar para Curitiba, onde conheceu Edmilson e começou a importunar sua vida de uma maneira que só uma namorada pirata conseguiria.


A relação dos dois era... peculiar. Carina era habilidosa com as mãos – cozinhava em um restaurante vegetariano e, segundo Edmilson, era "bem boa" sexualmente. Para o ato, ela erguia o toquinho da perna e, com poucos movimentos, já estava pronta. Praticidade era o seu lema. E Edmilson, coitado, passou aquele inverno curitibano literalmente comendo bem – no restaurante e em casa.


Mas nem tudo eram flores – ou pinhões. Carina tinha um jeito único de se movimentar pelo cortiço, e o som da muleta de madeira era como um alarme que anunciava sua chegada. Era impossível esconder qualquer coisa dela. Se Edmilson tentasse chegar em casa bêbado depois de uma noite na rua 24h (que tinha acabado de ser inaugurada), Carina já sabia. O "toc-toc-toc" da muleta era como um GPS emocional.


E as aventuras não paravam por aí. Edmilson viveu sete anos em Curitiba, e cada um deles foi uma história digna de um livro de crônicas. Teve o dia em que ele quase foi atacado por um enxame de vespas no trem da serra, o show dos Paralamas do Sucesso na Pedreira Paulo Leminski (onde ele fumou um baseado que durou do Titãs até o Barão Vermelho), e as noites intermináveis na Ilha do Mel, onde o pinhão e a cerveja gelada eram os únicos combustíveis necessários.


No fim das contas, Edmilson saiu de Curitiba com uma mala cheia de histórias, um coração cheio de saudades e, quem sabe, um pouco mais de cuidado com os fungos. E Carina? Bom, ela seguiu sua vida, toc-toc-tocando por aí, provavelmente torcendo para o Coxa e cozinhando pratos vegetarianos que fariam qualquer um esquecer que a vida nem sempre é justa – especialmente quando você perde uma perna no meio da coxa.

E assim termina o conto da namorada pirata de Curitiba, uma história que mistura amor, muletas, pinhão e um pouco de humor negro – porque, no fim das contas, rir é o melhor remédio. Até para os fungos.

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