A Ressurreição Acidental de Jesus das Camisetas
Por Edmilson Vieira Dimelo Naquela manhã de Páscoa, acordei como um Cristo desmemoriado: de barriga para cima, sob um sol que mais parecia uma frigideira divina. "Caramba, se isso é a ressurreição, preferia ter ficado na tumba", pensei, tentando lembrar se era eu mesmo dentro daquele corpo bronzeado e grudento de areia. Aos meus pés, um quartilho de vodka vazio, uma mochila com 280 camisetas (sim, *duzentas e oitenta* – alguém achou que eu era um camelô da Via Dolorosa?) e uma carteira cheia de dinheiro, mas vazia de identidade. A paisagem? Uma praia deserta, só areia branca, mar e um silêncio que até Deus parecia ter dado folga. "Santa Catarina? Bahia? *Marte*?" Decidi que a resposta estava no mar. E, num surto de inspiração aquática, mergulhei nu nas ondas, certo de que o batismo salvaria minha alma (ou pelo menos minha memória). Ao sair, avistei um pescador de sandália da humildade, barba de profeta e olhar de quem já viu muitos "Jesuses" aparecerem...