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A Ressurreição Acidental de Jesus das Camisetas

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Por Edmilson Vieira Dimelo Naquela manhã de Páscoa, acordei como um Cristo desmemoriado: de barriga para cima, sob um sol que mais parecia uma frigideira divina. "Caramba, se isso é a ressurreição, preferia ter ficado na tumba", pensei, tentando lembrar se era eu mesmo dentro daquele corpo bronzeado e grudento de areia. Aos meus pés, um quartilho de vodka vazio, uma mochila com 280 camisetas (sim, *duzentas e oitenta* – alguém achou que eu era um camelô da Via Dolorosa?) e uma carteira cheia de dinheiro, mas vazia de identidade.   A paisagem? Uma praia deserta, só areia branca, mar e um silêncio que até Deus parecia ter dado folga. "Santa Catarina? Bahia? *Marte*?" Decidi que a resposta estava no mar. E, num surto de inspiração aquática, mergulhei nu nas ondas, certo de que o batismo salvaria minha alma (ou pelo menos minha memória).   Ao sair, avistei um pescador de sandália da humildade, barba de profeta e olhar de quem já viu muitos "Jesuses" aparecerem...

A Descida da Graciosa: Uma Aventura sobre Trilhos e Sementes

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Por Edmilson Vieira Dimelo Era uma manhã nublada de fevereiro quando Edmilson, um sujeito de espírito aventureiro e bolso vazio, recebeu um convite que prometia ser épico: descer a Serra da Graciosa, de Curitiba até Morretes, sem pagar os R$ 160 do confortável vagão turístico. A proposta era simples, mas arriscada: em vez de viajar como um turista, ele embarcaria clandestinamente no trem cargueiro, escondido entre sacas de grãos. "Afinal", pensou ele, "quem precisa de conforto quando se pode viajar como uma semente de soja?" Às 8 da manhã, Edmilson e seus comparsas já estavam posicionados nos becos da favela Capanema, vestidos como personagens de um filme de ação amador: mochilas pequenas, tênis surrados, jeans e camisas de manga longa (porque até os aventureiros precisam de um pouco de estilo). Fumavam nervosamente, esperando o momento exato para pular no trem. Quando ele apareceu, rugindo como um dragão de aço, eles correram como se estivessem em uma cena de  Miss...

Esperto e afoito

Po Edmilson Vieira Dimelo  Imitação de barata, produto plástico, Palheta improvisada, ritmo fantástico. Poesia infame que me persegue, Velhos tempos de guri, memória que me serve. Comia de tudo, quantas galinhas devorei! Era pato, marreco, peru que apreciei. De buraco redondo, só o marimbondo se escapou, Pois o ferrão no cu medo me causou. Pica velha guasca, imunda e audaz, Louca por uma bunda, em tempos voraz. Hoje resta apenas lembrar das festas, Onde o cheiro não atrapalhava as serestas. Leite me faltava para encher os copos, Restantes núcleos constantes, perigosos sopros. Desbravava pregas na gineteada, Guri ofegante, maroto em jornada. Perigo abaixar-se próximo a esse maroto, Inocente garoto, mas esperto e afoito.

O Caso do Sovaco Inesquecível

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Por Edmilson Vieira DImelo  Conheci  ela : uma gordinha gostosa, daquelas que fazem o coração bater mais forte e o colchão gemer de preocupação. A moça tinha seus segredos, claro. Só transava no escuro, com medo de que alguém risse dos seus "pneus", como ela mesma chamava suas curvas generosas. Mas, naquela noite, o escuro seria nosso aliado — e também cúmplice de uma confusão que jamais seria esquecida. Nos envolvemos em uma suruba tão épica que três voltas e meia demos na cama king size, aquelas de madeira que rangem como se estivessem torcendo pelo time rival. Os estalos dos encaixes, os tapas e os gemidos ecoavam pelas paredes, denunciando um masoquismo liberado que faria até o Marquês de Sade corar. — Sofrer é comigo mesmo! — eu pensei, enquanto dava tudo de mim. Mas, em um momento de puro êxtase, algo aconteceu. Eu estava lá, arrepiado, sentindo uns pelinhos roçando na cabeça do meu pinto. Era um local apertado, úmido, quentinho e com pelinhos... e eu, num ato de pura i...

Peidão e o pêndulo

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  Por Edmilson Vieira Dimelo Peidão era um cara que se metia em cada enrascada! Um dia, ele decidiu roubar um Corcel, mas tinha um pequeno probleminha: ele não sabia dirigir. Na primeira curva, logo em frente ao Bar do Claudião e próximo ao muro do Nelsão Materiais de Construção, lá estava o Peidão, estatelado no muro. O carro ficou pendurado, com as quatro rodas no ar. Uma verdadeira obra de arte pendular! Peidão, sem se dar por vencido, tentou buscar ajuda. Claro, ele só queria continuar o rolê! Mas, sem sucesso em tirar o carro do lugar, lá ficaram, o Peidão e o Corcel GT branco, balançando como uma exposição de acrobacias malfeitas. Como não podia sair de mãos vazias, Peidão arrancou o toca-fitas Rodstar e foi direto para a favela trocar por drogas. E o que ele trouxe de volta? Um punhado de marijuana tão cheia de sementes que parecia um saco de pipoca não estourada. Quando mostrou a "mercadoria" pros amigos, a confusão foi geral. A erva tinha tantas sementes que fumar er...

O Conto da Namorada Pirata de Curitiba

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Por Edmilson Vieira Dimelo  Edmilson resolveu trocar o conforto do seu lar por uma aventura em Curitiba, a terra do pinhão, do cobertor e do Coxa. Ele chegou cheio de esperanças, mas logo percebeu que a vida na capital paranaense não era só chimarrão e pinhão na brasa. Havia também... fungos. Muitos fungos. E ele, coitado, tentava ficar o mais longe possível deles, como se fossem ex-namorados ciumentos. Edmilson se instalou na rua Saldanha Marinho, uma rua que tinha de tudo e mais um pouco: mercado, templo cristão, cortiços cheios de estudantes e trabalhadores, e uma vibe que misturava o caótico com o acolhedor. Era um lugar onde 250 pessoas dividiam o mesmo teto, fogões, tanques de lavar roupa e, claro, histórias. Muitas histórias. Foi lá que ele conheceu Carina, uma moça esguia de 1,65m, cabelos castanhos escuros e ondulados, com um charme que só quem perdeu uma perna no meio da coxa e ainda assim torcia para o Coxa poderia ter. Sim, Carina era uma torcedora fanática do Coxa, e s...

Xis do ArCU’S Drive e o Tubo da Perdição

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Por Edmilson Vieira Dimelo  Edmilson nunca foi de negar uma experiência nova. Se fosse pra testar substâncias exóticas, era com ele mesmo! Chá de fibra de banana? Já tomou. Tererê vencido? Também. Noz-moscada ralada? Claro. Cigarro mentolado de chuchuzeiro? Pior que sim. Mas nada, absolutamente nada, prepararia ele para a noite em que um tubo de lança-perfume argentino mudaria sua vida. Tudo começou quando ele conseguiu um trampo de garçom no ArCU’S Drive, um treiler meio improvisado, meio tijolo, meio plástico transparente, mas 100% fornecedor do melhor xis da região. Era mais barato que o X do Boka, e isso já era suficiente pra garantir clientela fiel. O ponto ficava na Independência, bem na esquina com a Capitão Eleutério, e a clientela era aquela mistura clássica de gurizada e figuras carimbadas da noite. Naquela noite, Carina Carabina, Jussanee, Martinha Bolôr e toda a "Cia. Ltda." estavam na área. O esquema era sempre o mesmo: elas paravam o carro, chamavam Edmilson, pe...