Xis do ArCU’S Drive e o Tubo da Perdição
Por Edmilson Vieira Dimelo
Edmilson nunca foi de negar uma experiência nova. Se fosse pra testar substâncias exóticas, era com ele mesmo! Chá de fibra de banana? Já tomou. Tererê vencido? Também. Noz-moscada ralada? Claro. Cigarro mentolado de chuchuzeiro? Pior que sim. Mas nada, absolutamente nada, prepararia ele para a noite em que um tubo de lança-perfume argentino mudaria sua vida.
Tudo começou quando ele conseguiu um trampo de garçom no ArCU’S Drive, um treiler meio improvisado, meio tijolo, meio plástico transparente, mas 100% fornecedor do melhor xis da região. Era mais barato que o X do Boka, e isso já era suficiente pra garantir clientela fiel. O ponto ficava na Independência, bem na esquina com a Capitão Eleutério, e a clientela era aquela mistura clássica de gurizada e figuras carimbadas da noite.
Naquela noite, Carina Carabina, Jussanee, Martinha Bolôr e toda a "Cia. Ltda." estavam na área. O esquema era sempre o mesmo: elas paravam o carro, chamavam Edmilson, pediam lanches e, como pagamento, entregavam um tubo de lança-perfume universitário argentino. Troca justa, pensou ele.
Com o tubo na mão e o coração acelerado, ele se retirou para os fundos do terreno. Havia ali uma velha tábua protegendo um tanque de lavar roupa com água corrente – uma paisagem bucólica perfeita para um momento de reflexão química.
Na primeira cheirada, sentiu um arrepio. Na segunda, um formigamento. Na terceira, o lacre do tubo saltou pra longe como se tivesse vida própria, aterrissando nas pedras britadas do estacionamento. Foi o caos.
Edmilson se abaixou para procurar a borrachinha perdida, mas a tábua onde estava pisou resolveu participar da experiência alucinógena e virou invisível. Ele foi direto para dentro do tanque de água corrente, gritando algo sobre helicópteros imaginários que não pousavam. No estacionamento, dois ou três usuários regulares assistiam à cena, enquanto traficantes, agora também interessados na experiência, observavam tudo com um misto de curiosidade e julgamento.
No meio da confusão, Greég, Pacheko Peidão e Chiquinho Fortão tentaram ajudar, mas estavam ocupados demais debatendo a origem pagã do carnaval e a relação entre britas e estados alterados de consciência.
No fim das contas, Edmilson saiu do tanque, encharcado, mas com o xis intacto. O único problema? O lacre do tubo continuava perdido. Dizem que, desde aquela noite, ele sonha com a borrachinha de dez em dez anos.
E assim encerra a história – verídica, diga-se de passagem – de um homem, um xis e um tubo de lança-perfume argentino. Porque, em 2025, o samba não pode morrer.

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