Expedição Capingui: Uma Jornada Psicodélica e uma Conchinha Coletiva
Por Edmilson Dimelo
Era um verão tão quente que até as pedras do trilho pareciam derreter. DimeLo, nosso guia espiritual (ou desorientador oficial), jurou de pés juntos: "São só 15 km até a represa Capingui!" E lá fomos nós, um bando de 25 almas perdidas, armados com whisky, vodka, cigarros suspeitos e uma vontade inabalável de se perder na vida.
A cada 200 metros, Mira – a musa, a lenda, a desinibida – clamava: "VAMOS PARAR SENTAR E FUMAR UM!" A mulher era um GPS da larica e da diversão. Seguimos nos equilibrando pelos trilhos, como bêbados numa corda bamba, até que um pequeno detalhe veio à tona: salgamos a carne com açúcar. Resultado? Riso incontrolável, três baseados a menos e um banho forçado numa vertente para tentar salvar o churrasco.
No caminho, DimeLo resolveu dar uma desviada para caçar cogumelos roxos. Achou. E achamos que era uma boa ideia experimentar. De repente, o trilho começou a fazer curvas onde não devia, e os duendes se tornaram personagens reais da viagem. Ao avistarmos a estação abandonada e sua placa denunciando "21 km percorridos", caiu por terra a informação dos míseros 15 km prometidos. FDP do DimeLo.
Já no camping, conseguimos entrar sem pagar, pois o porteiro, incrédulo com a chegada de 25 mendigos psicodélicos a pé, nem teve coragem de perguntar nada. Ao redor, o pessoal ia apagando um a um, como um dominó de zumbis exaustos.
No dia seguinte, acordei ao sol, com o estômago urrando e um estranho novo no grupo – atraído pelo cheiro da erva, como um cão farejador de boa vida. Comi bolachas, tomei café sem açúcar (porque ninguém achou o adoçante, que provavelmente usamos na carne) e, sob efeito tardio dos cogumelos, fiquei nu e mergulhei na água, só me lembrando da existência de outras pessoas quando percebi os olhares assustados dos campistas normais.
Como verdadeiros nômades, pescamos lambaris, assamos, comemos e decidimos que voltar à noite seria melhor. Tudo ia bem até que a chuva começou a despencar. Correndo em desespero, encontramos abrigo na estação abandonada. Saulo, numa epifania genial, resolveu quebrar um vidro para entrar… detalhe: TODOS os outros já estavam quebrados.
Acomodados no banheiro, formamos uma conchinha coletiva de cinco pessoas, numa sinfonia de reviradas sincronizadas que mais parecia um efeito dominó humano. Pela manhã, funcionários da ferrovia nos olharam com aquele ar de "mais um dia, mais um grupo de loucos". Tentamos sair discretamente, mas logo fomos surpreendidos pelo trem diminuindo a velocidade.
Dois policiais surgiram na plataforma e nos deram voz de prisão. A bordo do trem (um luxo!), fomos levados a Passo City. Na delegacia, para a cereja do bolo, fomos transportados de viatura em grupos de três… num fusca que teve que ser empurrado para ligar.
No fim, nos prometeram liberdade se pagássemos o vidro quebrado. Nunca pagamos. Mas ganhamos uma carona inesperada, 20 km de caminhada economizados e uma história que nem os duendes conseguiriam inventar melhor.

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