O Chá que Virou Carnaval Alucinógeno






Por Edmilson Vieira Dimelo 

**1. A Receita do Apocalipse Caseiro**  

Era uma tarde nos anos 90, na casa dos Warquem, quando Juliano Nó, Roni, Mongol, Postal e mais uma legião de desocupados decidiram que fazer um chá era a melhor ideia do mundo. A receita? Quatro litros de vinho branco, 50 cabeças de cogumelo (que mais pareciam uma coleção de guarda-chuvas minúsculos), mel, cravo, canela e um toque de irresponsabilidade. A empregada da casa, Dona Marta, só soube do plano quando viu a panela gigante no fogão:  
— Isso aqui é pra matar barata ou pra matar vocês? — perguntou, segurando um pano de prato como se fosse um escudo.  

**2. A Magia da Meia Soft**  

Após ferver a mistura até os cogumelos parecerem "crânios boiando" (descrição técnica de Juliano), faltou o pano para coar. Solução? Uma meia soft do Roni, que jurou de pés juntos que estava limpa. O resultado foi um líquido viscoso, doce e suspeito, batizado de *Lama do Pântano de Viçosa*. Dona Marta, ao ver a meia sacrificada, desistiu de lavar os utensílios e foi rezar um terço.  

**3. A Hora das Cores Místicas**  

Os efeitos começaram como um festival de cores: Juliano virou um *Shrek* pré-histórico, verde fluorescente. Nó passou a pentear e despentear os cabelos como se estivesse em um comercial de xampu. Mongol, já naturalmente "mongolóide" (segundo o grupo), ficou tão desconcertado que tentou conversar com o toca-discos, que girava como um disco voador em ritmo de samba.  

**4. A Peregrinação das Alucinações**  

Decidiram fumar no Parque da Gare, levando dois litros da *Lama* numa garrafa de plástico. No caminho, Roni e Postal mastigavam caules de cogumelo "in natura" para "driblar a aula na faculdade" (spoiler: não foram). Sentados no barranco, notaram que suas peles mudavam de cor como camaleões bêbados. Juliano, agora verde-limão, declarou:  
— Acho que virei um post-it humano!  

**5. A Lixeira Filosófica**  

Na Rua do Quartel, uma árvore frondosa hipnotizou o grupo. Edmilson, em êxtase, decidiu que a melhor forma de admirá-la era dentro de uma lixeira de ferro, com as pernas para fora.  
— É tipo um camarote sustentável! — explicou, enquanto um mendigo passava e dava joinha, achando que era performance artística.  

**6. O Voo da Borboleta Alucinada**  

Na esquina da Cap. Eleutério, viram um dos amigos "descer voando". Era o Postal, que, de camisa aberta, agitava os braços como asas e berrava:  
— Sou a borboleta da Liberdade!  
O problema? Ele pulou de um muro de meio metro. Mas na mente do grupo, foi um espetáculo digno da Disney.  

**7. O Café da Ressaca Iluminada**  

No dia seguinte, Edmilson acordou com o sol parecendo um holofote policial. Bebeu café preto, jurou nunca mais olhar para cogumelos e riu ao lembrar da Dona Marta, que deixou um bilhete:  
*"Lavei a panela. A meia joguei no lixo. E se quiserem repetir, eu me demito."*  

**Epílogo:** 

O chá rendeu histórias por anos, mas nenhum deles conseguiu explicar como sobreviveram. Ou melhor, explicaram, mas ninguém acreditou. Afinal, quem acredita em borboletas humanas e post-it ambulante?  

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*Baseado em "eventos reais" dos anos 90, onde a única vítima foi a meia do Roni.* 😂

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