A Noite do Cachorro Quente
Na Praça Rui Barbosa, conhecida como a praça dos cachorros quentes, que eu conheci uma namorada empregada doméstica, bonita e com um nome original da região de Pomerode, Santa Catarina.
Ela tinha um sotaque gringo e veio para a capital paranaense para trabalhar, estudar e, claro, namorar. Eu a levei para jantar no cachorro bufê da Praça XV, onde o cachorro quente custava apenas $1.
Com o dinheiro que sobrou, nós decidimos transar de pé atrás da coluna da igreja, esgueirando-nos do olhar mendigo que ali residia. Foi uma noite quente, e não era apenas o molho do cachorro quente que estava fazendo efeito.
Ela cuspia o molho, que era de carne moída e duas vinas, e acomodou as salsichas na boca de uma maneira que deixou claro suas intenções comigo. Nossos beijos molhavam as orelhas, misturados ao ranho salgado do molho picante do cachorro.
Nós estouramos três preservativos e, após três semanas, eu fui procurado pela gringuinha, que me informou que estava grávida da nossa última trepada. Ela sabia que eu usava drogas, e eu sabia que estava em apuros.
Mas, como sempre, eu soube apenas ir, não voltar. E, até hoje, não sei o endereço dela, pois só sei ir, não voltar. Voltar é consequência, e eu não sou muito bom em lidar com consequências.

Comentários
Postar um comentário